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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Próximo de feito, Fred revela real motivo da saída do Flu e elogia o Galo Atacante esta a dois jogos de se igualar a Romário, Dadá e Túlio e se tornar, pela 3ª vez, artilheiro do Brasileiro - desta vez com a camisa do Atlético-MG: "Segunda pele"

Por Belo Horizonte
Faltam dois jogos: São Paulo e Chapecoense. O Atlético-MG ainda tem esperanças de conquistar o G-3 para garantir vaga na fase de grupos da Taça Libertadores 2017. Para o atacante Fred, as duas partidas serão, também, a possibilidade de sacramentar uma marca histórica: terminar o Campeonato Brasileiro como artilheiro pela terceira vez na história.
Somente Dadá Maravilha, Túlio e Romário conseguiram tal feito. Fred se sagrou o maior goleador das disputas em 2012 e 2014, vestindo a camisa do Fluminense. Com 14 gols, Fred é seguido de perto por Diego Souza, do Sport, com 13 gols, na artilharia, e do companheiro Robinho, que tem 12 gols.
Em cinco meses de Atlético-MG, o camisa 99 fez revelações importantes ao GloboEsporte.com. Desde a conturbada saída do Fluminense - ele criticou a atual diretoria - à incerteza de ter escolhido um time rival ao ex-clube do início da carreira profissional, passando pela angústia de ficar de fora das finais da Copa do Brasil. Confira a entrevista:
Fred Atlético-MG (Foto: Bruno Cantini/ Atlético-MG)Fred com a camisa Atlético-MG: casamento que deu certo (Foto: Bruno Cantini/ Atlético-MG)
Sua carreira é feita de marcas. E você está prestes a alcançar mais uma: ser o artilheiro do Brasileirão pela terceira vez. Como é igualar o feito de jogadores como Dadá, Túlio e Romário?É sempre bom atingir marcas, alcançar objetivos pessoais, mas, ao contrário dos esportes individuais, no futebol, o melhor e mais extraordinário mesmo é conquistar títulos justamente pela importância do grupo. Por outro lado, não dá pra negar que se a artilharia vier, ficaria muito feliz por tudo o que representa. Igualar um feito de jogadores como Rei Dadá, Túlio Maravilha e  Romário, que para mim é um gênio e uma grande inspiração que tive na carreira, é motivo de grande orgulho. Além do mais, ser artilheiro do Brasileirão logo no primeiro ano vestindo a camisa do Galo teria um gostinho mais que especial também. É uma forma de retribuir todo o carinho que recebi da massa atleticana desde o primeiro dia.
Como foi assistir ao primeiro jogo da final contra o Grêmio sem poder jogar (Fred já atuou pelo Fluminense na Copa do Brasil)?Não existe sensação pior para um jogador que a de impotência. E na quarta eu me senti assim, de pés e mãos totalmente atados. Sinceramente, mesmo após o resultado adverso, eu preferia mil vezes estar dentro de campo lutando junto com meus companheiros, porque esse é o espírito que sempre deve prevalecer em qualquer grupo. Como todo atleticano, também acredito que nosso time tem totais condições de ir lá e devolver o resultado. E, se for para os pênaltis, o São Victor nos salvará.
Qual a importância de marcar gol logo na estreia e justamente contra o Cruzeiro?Vou contar uma história que pouca gente sabe. Ficou definido que eu realmente viria pro Atlético numa sexta-feira à tarde e todo mundo já tinha se conformado de que não daria para fazer a transferência a tempo de eu jogar o clássico. No entanto, foi uma condição minha, eu queria ir para estrear no domingo. Todos me olharam assustados, disseram que era muito difícil, mas eu respondi para eles: “Não é impossível”. A mobilização foi grande, e enquanto não tive a certeza de que meu nome estava no BID, não sosseguei. Graças a Deus, pude estar em campo mesmo com apenas um treino rápido com o grupo [um rachão] e marquei um gol na estreia (veja no vídeo acima). Infelizmente, o resultado não foi favorável para nós, mas aquele peso do meu passado no rival desapareceu logo na estreia. Muito se falou sobre eu comemorar ou não um gol contra o Cruzeiro. E ali ficou claro que vim com a intenção de conquistar meu espaço no coração da torcida do Galo. Na verdade, pensei que fosse ser recebido sob muita desconfiança, mas quando entrei em campo e a torcida logo começou a cantar a minha música “o Fred vai te pegar”, senti que ali começava uma história diferente. E isso me deu muita confiança naquele dia.
Você está envolvido em duas disputas internas no Atlético-MG. Uma com o Robinho, pela artilharia. Outra com o Lucas Pratto, pela vaga no time titular. Na sua opinião, não seria melhor para a equipe esse trio atuar junto?Torço para que essa briga pela artilharia continue até o final porque, se isso acontecer, é sinal de que o ataque do Galo continua marcando muitos gols. Em relação à minha disputa com o Pratto, quem ganha com isso, sem sombra de dúvida, é o time, pois o Atlético conta com dois atletas muito competitivos e que estão se doando ao máximo para conquistar seu espaço. Eu, particularmente, acho muito fácil jogar ao lado do Pratto e do Robinho, porque são jogadores de altíssimo nível técnico e de inteligência acima da média. Nós temos um dos melhores planteis do Brasil, jogadores como Maicosuel, Luan, e, independentemente de quem estiver em campo, o time estará muito bem servido.

Estão tentando acabar com o camisa 9 no futebol moderno. No entanto, você, como um bom e velho camisa 9, está de novo como artilheiro de um dos campeonatos mais difíceis do mundo. O que tem a dizer sobre isso?
Eles não sabem a besteira que estão tentando fazer (risos). Claro que sou suspeito para falar sobre esse assunto, mas não vou me abster da pergunta e vou legislar em causa própria. Se um dia eu me tornar técnico de futebol, posso mexer em tudo na minha equipe, mas o camisa 10 clássico e o camisa 9 matador sempre estarão dentro de campo. Aposentar a camisa 10 é a mesma coisa de dizer que Zico, Maradona, Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Messi não servem pra jogar no seu time. Bem como banir o camisa 9 é o mesmo que dizer que Ronaldo Fenômeno, Romário e Reinaldo também não têm espaço. É difícil aparecer um, porque gênios são poucos, mas no Brasil afora, com certeza, sempre vai existir. Deixando bem claro que não estou me comparando a nenhum dos super-craques que citei (risos).
Fred Coletiva Fluminense Emocionado (Foto: Edgard Maciel de Sá)Olhos marejados durante a entrevista de despedida do Fluminense (Foto: Edgard Maciel de Sá)
Qual foi o real motivo da sua saída do Fluminense?A verdade é uma só. Nos últimos meses que estava no clube, percebi que se iniciou um processo de fritura da minha pessoa por parte da diretoria do Fluminense. Vi que começou a vazar muitas informações a respeito do meu salário, que minha permanência no clube estava inviabilizando a conclusão das obras do novo CT...
Então, percebi todo esse cenário que estava sendo desenhado contra mim e procurei o presidente. Eu disse: “Peter, o Fluminense é minha segunda casa, meu sentimento é de gratidão, devo muito a esse clube. As maiores alegrias que tive na minha carreira foram aqui, o momento mais difícil que passei no futebol, foi o Fluminense que me acolheu de uma forma que ninguém mais faria. Por isso, quando achar que sou um peso financeiro, peço para me procurar”. E não deu outra. Ele procurou meu representante e disse com todas as letras que ele poderia buscar qualquer situação para eu sair, porque estava sendo um peso após a saída do antigo patrocinador e pela suposta dificuldade da Frescatto em honrar a parte que lhe cabia do meu salário. Abriu-se a possibilidade de eu ser liberado até de graça, principalmente se fosse para o exterior.
 Mas Deus é tão bom em minha vida que uma situação que eu nunca tinha imaginado... o que parecia ser o fim se tornou um novo começo. Achava que não teria em outro lugar a mesma felicidade e o mesmo prazer que tinha de jogar no Fluminense, mas consegui encontrar aqui no Galo, no convívio do dia a dia no clube, mas principalmente na torcida, uma alegria tão grande quanto a que tinha no Rio.
Fred, atacante do Atlético-MG
Recebi essa notícia com certa tristeza, mas estava decidido que, quando ouvisse isso da diretoria, buscaria o meu caminho. Pouco tempo depois, o Levir Culpi assumiu e, coincidência ou não, senti ali que o processo de fritura se intensificou. A sensação que eu tive foi de que aquela situação era algo premeditado. Na primeira oportunidade que teve, o presidente do Fluminense aceitou até mesmo me envolver numa troca de jogadores com o São Paulo. A negociação foi aberta e por muito pouco eu não fui pra lá. Na última hora, a transação não se concretizou porque minha única condição era sair em definitivo. Eu não aceitaria ser emprestado para outro clube por puro capricho do presidente e correr o risco de manchar minha história no Fluminense. Enfim, depois de todo esse tempo, houve interesse concreto do Atlético-MG na minha contratação e, apesar de conturbada, o desfecho da transação se deu muito rápido.
A essa altura, eu também já estava muito chateado com a diretoria do Fluminense por todo o desgaste que foi gerado. O Fluminense fez investimentos infinitamente superiores, com valores de salários e aquisições de direitos econômicos, que superaram de muito longe os meus custos para o clube. Admito que também já não tinha mais força para seguir lutando contra aquilo. Então, cedi e concordei. 
Mas Deus é tão bom em minha vida que uma situação que eu nunca tinha imaginado... o que parecia ser o fim se tornou um novo começo. Achava que não teria em outro lugar a mesma felicidade e o mesmo prazer que tinha de jogar no Fluminense, mas consegui encontrar aqui no Galo, no convívio do dia a dia no clube, mas principalmente na torcida, uma alegria tão grande quanto a que tinha no Rio.
Fred, Levir Culpi - Fluminense (Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)Fred admitiu problemas com Levir: "tivemos uma conversa de homem para homem" (Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)
Houve problemas com o Levir Culpi (ex-técnico do Fluminense)?
Não serei hipócrita em falar que não houve nenhum problema, mas também garanto que já está tudo resolvido entre eu e ele. Após todos os fatos, sentamos frente a frente e resolvemos todas as nossas diferenças. O Levir é um treinador que sempre admirei, desde a primeira vez que trabalhei com ele, ainda no Cruzeiro.
Todas as vezes que o nome do Levir surgiu como uma possibilidade no Fluminense, fiquei muito feliz, porque tinha certeza que viria um grande treinador pra nos comandar. Para minha surpresa, ele chegou questionando minha conduta desde o começo, e eu não concordei. Por isso tivemos aquele problema. A gota d’água foi quando, numa roda durante um treinamento perante todo o grupo, ele quis dizer que eu desrespeitei o Scarpa por conta da forma que o cobrei dentro de campo. Eu também tenho minha personalidade e não admiti que ele colocasse sete anos de história, de muita dedicação e conquistas em cheque por uma situação que não fazia o menor sentido. Sempre tive um carinho enorme pela molecada de Xerém, sempre protegi, algumas vezes até mais do que deveria. Quem acompanhou minha história no Fluminense já me viu inúmeras vezes me emocionar com gols, com a ascensão desses garotos, porque sempre enxerguei neles o passado difícil que tive. Então, queria que eles não sofressem o tanto que sofri pra chegar onde cheguei. Meu objetivo sempre foi ser um atalho pra eles, por isso não poderia concordar com uma afirmação que não tinha absolutamente nada a ver com a realidade. Mas, como disse, quando tivemos uma conversa de homem para homem, tudo isso ficou claro. E o meu respeito e a minha admiração pelo Levir permanecem intactos. Acredito que, hoje, mesmo com toda sua experiência, o Levir também deve ter percebido que ele foi enganado pelo Peter; as declarações dadas por ele após a sua saída deixaram claro isso.
Como é a política no Fluminense?
Se toda disputa política em um time de futebol for igual à do Fluminense, te garanto que isso não é nada saudável pra essência do clube, que é o futebol. O que vejo ali é uma disputa pelo poder, custe o que custar. Vejo que em muitos momentos falta respeito com a instituição, falta ética, zelo pela história do clube, que é, no final das contas, o mais importante de tudo. Infelizmente, percebo que o interesse pessoal está acima do clube. Não estou me referindo às questões financeiras, digo mais por poder e vaidade. O dia que quem estiver no comando perceber que fazer um futebol forte e manter uma estrutura de trabalho digna é o que realmente importa, os bastidores da política terão um nível muito mais elevado.
Ao lado do goleiro Victor, Fred carrega a filha Júlia, no Independência (Foto: Bruno Cantini/CAM)Fred carrega a filha Júlia antes de jogo no Independência (Foto: Bruno Cantini/CAM)
Sua decisão pelo Atlético-MG foi financeira ou por outro motivo, já que você também teve proposta do Cruzeiro e o desejo era voltar a BH pelo nascimento da sua filha?
Em relação à família, o jogador de futebol sabe que morar longe deles é o ônus da profissão. Eu poderia perfeitamente criar minha filha tanto no Rio de Janeiro quanto em Belo Horizonte, então isso não foi levado em consideração em momento algum. Essa situação de ficar longe da família faz parte da nossa vida, é nossa obrigação entender e conviver bem com isso.
Por outro lado, quero deixar muito claro que a minha decisão não foi financeira. Eu ganho exatamente a mesma coisa que ganhava no Fluminense, nem um centavo a mais. Inclusive, tive propostas maiores, que considerei oportunistas na ocasião. No meio da negociação com o Atlético, outro clube tentou atravessar oferecendo mais dinheiro para mim e para o Fluminense, e foi aí que o Peter resolveu, por conta própria, suspender as negociações com o Atlético. Quando eu e meus representantes tomamos conhecimento disso, nós nos posicionamos de uma maneira muito firme e exigimos que o Peter fosse correto e honrasse o que havia sido acordado verbalmente com o Daniel Nepomuceno, presidente do Atlético-MG. Nem a gente pediria nada além do que havia sido combinado e, da mesma forma, ele não fugiria do que havia sido pré-acordado. Para quem propôs me liberar de graça no início do ano, encarei como oportunismo essa atitude, conduta que eu não concordo e não aceitei.
A essa altura da negociação, o Peter havia alcançado seu objetivo inicial: eu já estava cansado e determinado a sair do clube. Todo esse processo me surpreendeu muito porque, por diversas vezes, o Peter me tratou publicamente como um dos maiores ídolos da história do Fluminense.
Deseja se aposentar no Galo?O futuro, realmente, a Deus pertence. Não adianta nada a gente fazer os nossos planos se não forem os planos d’Ele. Então, me preocupo muito com o que Deus traçou para a minha vida. Sempre me imaginei me aposentando no Fluminense e, inclusive, dando sequência no clube, contribuindo de alguma forma, fosse na parte técnica, fosse como treinador ou diretor. Mas, de uma hora para outra, houve uma reviravolta muito grande. E hoje me considero uma pessoa realizada. Se for da vontade de Deus que eu me aposente no Galo, isso também me fará feliz, pois, onde eu menos esperava encontrar tanto carinho, respeito e admiração, por causa do meu passado no rival, achei tudo isso. Como não poderia ser diferente, a forma que tenho de retribuir e agradecer tudo isso que vivo hoje é fazer da camisa do Galo minha segunda pele assim como fiz em todos os clubes que passei. 
Fred gol Atlético-MG x Vitória (Foto: Bruno Cantini/ Flickr Atlético-MG)Fred e a camisa do Galo: "Segunda pele" (Foto: Bruno Cantini/ Flickr Atlético-MG)
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