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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

No estádio do Atlético Nacional, o grito de gol dum campeonato-sonho Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20576636#ixzz4RkGX8q7SNo estádio do Atlético Nacional, o grito de gol dum campeonato-sonho.

Palco da final. Torcedores lotam o Atanasio Girardot para homenagens
Palco da final. Torcedores lotam o Atanasio Girardot para homenagens Foto: MARCELO CARNAVAL / Antonio Scorza
Antonio Scorza - O Globo

MEDELLÍN - Naquela hora, às 21h45 da última quarta-feira, deveria ter soado um apito iniciando a primeira partida da final da Copa Sul-Americana entre Chapecoense e Atletico Nacional. No mesmo Atanasio Girardot onde normalmente se comemora, se chora de alegria e se grita para incentivar, ontem se ouviam lamentos e palavras de conforto.
Conforto a quem não se conhecia pessoalmente, mas com os quais mantinham vínculos gravados em jogadas, defesas milagrosas, gols celebrados. Não saberia dizer se foi somente o fenômeno do futebol, capaz de reunir e gerar confraternizações impensáveis. Não sei se foi a extrema solidariedade na dor dos habitantes de Medellín.
Apesar de as velas terem sido “proibidas”, num incentivo ao uso da tecnológica homenagem com flashes dos celulares, a desobediência civil e a beleza das chamas venceram. Para uns, a luz das velas iluminaria os novos caminhos das vítimas, para outros, incensaria as dores dos familiares.
“Hinchas” (torcedores) do Nacional e gente que não acompanha o esporte, todos criaram e cantaram em uníssono canções de apoio às equipes com letras adaptadas, num tributo às vítimas. Aplausos às duas bandeiras enlutadas postas sobre o gramado onde se decidiria a primeira final da Copa Sul-Americana. Aplausos às oferendas de flores. Aplausos apesar da dor. Aplausos como homenagem.
Na “cancha” do estádio Atanasio Girardot, se jogou um “partidazo”, como disse uma senhora que, acompanhada de seu filho de 6 anos, vestia branco e agitava flores e velas ao ritmo das canções.
— Aqui se demonstrou que o homem ainda tem sentimento, que pode se solidarizar até mesmo com quem não conhece pessoalmente — disse ela.
Uma entre tantos que, vestidos em branco, agitavam bandeiras da Chapecoense e do Brasil dentro do estádio. Do lado de fora, uma multidão tentava entrar na arena, já com as portas fechadas para evitar superlotação. Não desistiam de prestar suas homenagens também e criaram pontos ao redor do estádio onde acendiam suas velas, depositavam flores e oravam. Em cada bar e restaurante, em frente às televisões, torcedores ao redor acompanhavam as cerimônias.
Um grito de gol, coroando um campeonato-sonho, foi o que se escutou ontem no Girardot. Um grito que homenageia, que conforta, mas que também pede a apuração completa dos nomes dos responsáveis diretos e indiretos por essa tragédia.
Perdi dois amigos neste acidente, o comentarista da Fox Sports Paulo Julio Clement, que trabalhou no GLOBO, e o repórter Victorino Chermont, também da Fox Sports, com quem dividi as coberturas de várias Copas e Olimpíadas. Fiz uma foto das faixas funerárias que recordavam seus nomes, talvez uma última homenagem torta, de um fotógrafo torto, a esses caras tão queridos.
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