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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Anderson Silva planeja lutar em junho no Brasil: "Presente aos brasileiros" Brasileiro, que torce por luta pelo cinturão contra Bisping, manda recado a Ronda, chama Conor McGregor de craque e vê entretenimento sobrepondo o esporte no UFC

Por Rio de Janeiro
Anderson Silva no Combate News (Foto: Marcelo Monteiro)Ex-campeão do UFC, Anderson foi o convidado do Combate News nesta quinta-feira (Foto: divulgação)
A volta de Anderson Silva ao octógono do UFC deve acontecer nos próximos meses, e em território brasileiro. Em entrevista ao Combate News, nesta quinta-feira, o ex-campeão peso-médio do UFC revelou que está treinando e em conversas com seus empresários para definição do próximo confronto. Segundo ele, a luta deve acontecer em "junho ou julho", no Brasil. De acordo com reportagem publicada recentemente pelo Combate.com, a organização pretende realizar um evento no Rio de Janeiro no dia 3 de junho, na Arena da Barra.
- Não tem nada confirmado. Conversei com o Ed (Soares) e o Joinha (Jorge Guimarães) esta semana. Talvez eu lute em junho ou julho no Brasil. Estou aguardando para ver o que acontece. São 20 anos de carreira. É uma emoção muito grande estar até hoje em atividade. Espero que eu consiga fazer essa luta no Brasil, dar esta luta de presenta para os brasileiros.
"Spider" também comentou uma possível revanche com Michael Bisping, desta vez, valendo o cinturão dos médios. Anderson afirmou que não teria problemas em passar à frente de seu companheiro de treinos e também desafiante Ronaldo Jacaré, e deixou claro que acha que merece esta chance. No entanto, revelou que, caso conquistasse o título, o abandonaria e deixaria o caminho aberto para o compatriota.
- Enfrentar o Bisping eu gostaria muito, acho que independente do esporte. Acho que eu mereço lutar com o Bisping pelo cinturão, por tudo que fiz pelo esporte. Isso não vai mudar minha vida se não acontecer. Jacaré é um cara que está na fila, há muito tempo atrás disso. Mas, para o negócio, uma luta que venderia muito seria uma luta entre eu e Bisping pelo cinturão. Pela regra dos esporte, o Jacaré deveria lutar pelo cinturão. Estou torcendo para ele ter essa oportunidade. Se não acontecer e eu tiver a oportunidade, claro que eu lutaria. Mas eu não ficaria com o título, entregaria o título e o abandonaria, com certeza. Abandonaria a categoria e subiria para a categoria de cima ou desceria para a de baixo. Quando estou treinando, meu peso abaixa muito. A gente já conseguiu bater 77,5kg. Vamos esperar para ver.
Com 33 vitórias e oito derrotas na carreira, Anderson Silva não luta desde junho do ano passado, quando foi derrotado por Daniel Comier no UFC 200, em luta que aceitou em cima da hora, válida pelo peso meio-pesado. Em entrevista ao Combate News, o brasileiro falou ainda sobre seu futuro no Ultimate, a situação de seu companheiro de treinos Ronaldo Jacaré na categoria e uma possível revanche com Michael Bisping pelo título do UFC.
Confira, abaixo, os melhores trechos da entrevista com o "Spider":
Volta para o Brasil
- Vim para o Brasil, fiquei na China dois meses, vim passar o ano com a minha família, fazia tempo. Vim resolver minhas coisas ,ver minha casa, que fica sozinha quando não estou. Aproveitei para ficar treinando. Fui treinar com o Rogerão, com o Jacaré. Tive a oportunidade de trocar algumas técnicas com ele, informação. Ainda não consegui ir na Team Nogueira, mas estou aí, voltando às raízes. Estou sempre treinando, não paro de treinar nunca. Estou sempre pronto para fazer um preparação para uma luta

Futuro no UFC e aposentadoria
- Tenho algumas lutas no meu contrato. Cinco ou seis lutas. Pretendo fazê-las. Dependendo das minhas performance, eu tenha oportunidade de lutar de novo pelo cinturão. mas não é algo que estou buscando. quero fazer as lutas do meu contrato, fazer boas lutas, e espero fazer todas elas e dar alegria para vocês que me acompanham.
Troca de farpas com Bisping no Twitter
- Ele é polêmico. De vez em quando, bota alguma coisa, dá uma provocada. Na verdade, eu não tinha que acompanhar o ritmo dele, mas é engraçado porque as pessoas acompanham, é bacana isso. É legal de certa forma porque é uma coisa saudável, apesar de ele passar um pouco dos limites. É importante para os fãs a gente se provocar os poucos, cada um no seu limite, da maneira que acha correto.

Contusão que o tirou da luta de Curitiba
- Foi difícil. Estava vindo bem de treino, com vontade de lutar em Curitiba, foi onde eu comecei tudo. Na semana, eu passei mal, fui para o hospital e fiz uma cirurgia às pressas. Fiquei mal, mesmo. Mas era para acontecer, depois o médico falou que se eu tivesse aquele problema no meio da luta seria muito pior.
Anderson Silva Hall da Fama (Foto: Evelyn Rodrigues)Anderson Silva afirma que Ronaldo Jacaré tem tudo para ser o próximo campeão (Foto: Evelyn Rodrigues)

Situação de Ronaldo Jacaré na categoria dos médios
- Tudo vai vir naturalmente, Jacaré é muito sábio, inteligente. Sabe que realmente a situação que está se desenrolando em relação a isso ele sabe o porquê. É um cara que tem tudo para ser o novo campeão, o novo herói, o Brasil precisa disso. Vamos esperar. Foi muito inteligente da equipe e dele aceitar essa luta, porque ele mantém o ritmo, fica em atividade. E eu acredito que ele vai ter essa oportunidade de lutar pelo cinturão, até porque ele é o cara que deveria estar disputando com o Bisping. Estou torcendo por ele, está muito bem tecnicamente. Evolução sensacional, tive a oportunidade de treinar com ele e trocar informação, está muito bem. Eu acho que ele tem que aproveitar o tempo. Não sei quantos rounds serão, não sei se vai lutar cinco ou três rounds. Se eu fosse o head coach, eu aproveitaria o tempo para aproveitar a experiência. Ele não tem nada a ganhar além de aproveitar o tempo. Ele tem que fazer os cinco rounds para aproveitar o máximo que puder a técnica e saber os pontos que precisam ser os pontos a serem ajustados e melhorados. Ele tem um jiu-jítsu sensacional, um judô que não deixa a desejar a nenhum faixa-preta. 
Vandalismo na casa de Ronda

- Eu sempre lidei bem com a derrota. Tive derrotas no começo da carreira, em uma época que eu não podia perder, porque se perdesse, não botava comida em casa, não sustentava a minha filha. Derrota faz parte. Os atletas treinam muito para subir lá. Quando fiquei oito anos com o título, durante esse tempo, se fiquei com a minha família um mês e dez dias, foi muito. Eu me dedicava 100% à luta. Quando acontece de picharem, criticarem e xingarem, acho que essas pessoas deviam pensar um pouco mais sobre isso. Estamos ali para fazer um trabalho que não é só nosso, é de uma equipe que se dedicou meses. É lamentável esse fato.

Ronda Rousey e o cinema

- Acho que não (atrapalhou). Quando ela fez os filmes, teve tempo hábil para se preparar para lutar. Acontece... Ficou muito tempo sem lutar, você fica sem ritmo, acaba atrapalhando. Não tiro os méritos da campeã, esta em uma fase muito boa e esperando que vença todas que colocarem na frente dela e fique campeã ate o fim da carreira dela. As pessoas falam: "Ela tinha que ter perdido porque é arrogante". Acontece. Subindo ali eh risco de ganhar ou perder. É natural.
Recado para a Ronda

- Na primeira derrota dela eu mandei um recado. Quando ela perdeu, botei alguma coisa nas redes sociais, motivando. Independentemente do que vai acontecer na sua vida, tem que andar de cabeça erguida. O que você fez ficou na história. Tem que se importar com o que você acha de mais importante. Espero que 2017 seja um ano de grandes vitórias, de conquistas e, se continuar lutando, que volte bem. A minha visão pessoal e técnica, de lutador, é que você escolha melhor as adversárias em sua volta, que não lute com alguém em tanta atividade, como a campeã (Amanda Nunes). Foi uma estratégia errada. Você é uma grande atleta, que Deus te abençoe.  

Mudanças no UFC após a compra
- Eu não tive a oportunidade de conhecer os novos donos, de sentir como está a cara do UFC agora. Pelo que ouço de algumas pessoas que trabalham no UFC é que mudou bastante. É uma empresa com característica de entretenimento. Vamos aguardar para ver as mudanças. A compra foi há pouco tempo, as mudanças vão acontecer. Na minha opinião, eles acabaram assumindo um risco muito grande, porque a cara do UFC sempre foi o Dana e o Lorenzo. Quando não tem Dana e Lorenzo, fica uma coisa no ar... Mas vamos ser positivos, acredito que tudo vai dar certo.

Superlutas

- É uma empresa que esta preocupada com entretenimento, não tem filosofia da luta, da arte marcial. Esse é um dos motivos para o Jacaré não estar disputando o título. Para eles não é uma coisa rentável. Estão fazendo o que fizeram a vida toda, que é trabalhar no entretenimento. Temos que entender isso. É difícil, pensamos no correto, na arte marcial. Algumas lutas fazem sentido, outras não. Perdem uns fãs, ganham outros fãs que gostam de entretenimento. O WWE, por exemplo, é um entretenimento bem sucedido. Estão tentando puxar mais para o entretenimento e deixando de lado a arte marcial. O MMA não tem filosofia de MMA, é um esporte.. Mas o esporte está ficando de lado para o entretenimento.

Maconha: doping ou não?

- O que ajuda ou não ajuda o atleta a ter uma boa performance? No caso da maconha, não ajuda a ter performance nenhuma. Piora o rendimento. No caso do rendimento do Nick Diaz, não conta porque é um atleta fora do comum. No meu caso, tomei um estimulante sexual, que caiu no doping. Ficou tudo nebuloso, sem explicar e não ajudou em nada a minha performance na luta. (...) Não é esporte olímpico. Não é mais um esporte, é entretenimento. Tem que ter regulamentação, controle, mas tem coisa que não tem sentido e precisa ser discutida. É muito louco.
Conor McGregor x Floyd Mayweather

- O McGregor é um craque. Consegue importo o ritmo dele e a habilidade dele em pé é sensacional. Sempre foi meu sonho lutar boxe com o Roy Jones Jr. Era para acontecer, a gente conversou, acabou que o Dana e o Lorenzo jogaram um balde de água gelada no meu sonho. Eu queria lutar com o Roy Jones, tinha acabado de voltar da lesão, queria lutar com o Roy Jones porque não conseguiria chutar como chutava antes. Falei que gostaria de fazer a luta, que não sabia o que podia fazer para acontecer. Aí teve a polêmica de que se eu perdesse ia me prejudicar. Mas como assim? E se eu ganhar? Acho que todo mundo tem chance. Lógico, (O Conor) lutar com o Mayweather é muito difícil. A movimentação é outra, a colocação dos pés é outra, o tempo de resposta do boxe é outro... Acho que ele teria que parar um ano, no mínimo, para fazer uma luta parelha. E eu acredito que ele deveria, como eu tentei no meu caso, fazer três a cinco rounds. Até porque não era uma coisa que eu queria provar para alguém. Era um sonho. Ia ser bom para os esportes. Mas os caras fizeram o que seria melhor para eles.
McGregor é bom para o esporte?
- Ele tem os méritos dele, é um grande atleta, tem pessoas por trás deles que sabem de tudo. Acho que ele tá, de certa forma, em alguns momentos, passando dos limites e em outros momentos falando a verdade. É importante ter pessoas como ele porque cria uma vontade maior dos fãs de assistirem ao esporte. Está dando certo, tem que continuar fazendo.

O que fazer para vencer o irlandês?
- Eu acho que o que precisa ser feito, para os atletas em geral, é estudar. A luta, a arte marcial, é um estudo. A gente não pode pensar na luta, temos que pensar na arte marcial. Durante os noves anos que fui campeão, eu sempre estudei. Contra o Vitor Belfort, pensei: ele é mais rápido que eu, tem o boxe melhor, mas não tinha envergadura. Pensei: o que o Vitor não tem de mais rápido que eu? As pernas. A gente fez um estudo do Vitor, como ele se movimentava no dia a dia, como pegava um copo, tudo. Está faltando estudo dos atletas brasileiros para o McGregor. Ele é um cara que se defende bem, mas não tem jiu-jítsu. Ele é um cara que usa a movimentação do atleta contra eles mesmos. todos que lutaram com ele, se colocaram em posições desconfortáveis. Mas é difícil falar. Eu falo porque a gente entende bastante o que estamos falando. Começamos a entender mais. Estive treinando e conversamos justamente sobre isso. Faz a tua luta, não a do adversário. Isso que acontecer com os atletas em geral, principalmente com os brasileiros.
Quem prefere enfrentar: Vitor Belfort, Chris Weidman, Michael Bisping ou Georges St-Pierre?
- Não tenho problema de enfrentar nenhum deles, são lutas que já aconteceram, tirando o GSP. Não preciso provar mais nada para ninguém, tenho cinco ou seis lutas no contrato. Enfrentaria qualquer um, o Weidman, o Vitor de novo, qualquer adversário. Claro, agora, estou em uma posição em que não preciso provar mais nada a ninguém. Daqui para frente, só quero testar o que tenho de melhor e o que aprendi nas artes marciais. No caso do Vitor, não tem motivo para enfrentar o Vitor. O que eu poderia fazer de melhor do que aquele nocaute? Só se começasse a luta, eu desse um espirro e ele caísse. Lutar com o Weidman pode acontecer? Pode. Eu gostaria? Não tenho problema de lutar com qualquer um deles, tenho 41 anos, já vivi muita coisa. Já fiz lutas fora do meu peso. É tranquilo para mim. Não tenho problema nenhum em lutar com nenhum deles.
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