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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Arrependido com crime, volante volta a jogar: "No futebol tento história" Assista: Bruno disputará o Piauiense pelo Fla-PI após ser detido por um ano por participar de um assalto. Atleta quer volta por cima e fala de "deslize" na vida: "Errar e não errar mais"

Arrependido com crime, volante volta a jogar:
Por Wenner Tito, Altos, PI

nome de batismo é Gilcelan Matos de Carvalho, mas o jogador é conhecido por todos como Bruno. O nome, uma homenagem ao avô, ficou manchado após um episódio ocorrido em maio de 2016. Em horário em que deveria estar treinando no Altos, time que disputava a semifinal do segundo turno do Campeonato Piauiense, Bruno foi preso por participação em assaltos em Timon, município maranhense que faz fronteira com Teresina. Mais de um ano depois, agora em liberdade e comemorando o recente título estadual no futsal, Bruno tenta passar uma mensagem: a de que é possível dar a volta por cima mesmo após erros graves. O jogador agora também treina no Flamengo-PI, para o campeonato estadual.
Assista aos depoimentos de Bruno no vídeo acima.
Bruno nasceu em Açailândia, no Sul do Maranhão, mas mudou-se para Altos para ficar mais perto da família. Vivia da venda de confecções quando amigos, que o conhecima das peladas de futsal, o chamaram para integrar o time de futebol profissional da cidade. O volante, que se classifica como habilidoso e de bom passe, fez parte da campanha do título da segunda divisão do Piauiense e, no ano seguinte, renovou para a disputa da elite do estadual. A equipe ia bem, era apontada como uma das candidatas ao título e Bruno, mesmo reserva, era utilizado com alguma frequência.
Até que, no dia de 3 de maio de 2016, Bruno faltou ao treino. Estava em outra cidade e, junto com um comparsa, se aproximava de vítimas em uma moto e praticava a modalidade de assalto conhecida como "saidinha de banco". Com a dupla foram aprendidos R$ 13 mil e um revólver calibre 32. Começava ali a fase mais difícil da vida de Bruno, um erro que pôs em risco o que ele estava construindo.
Com Bruno e o comparsa foram apreendidos dinheiro e arma (Foto: Divulgação/PM )Com Bruno e o comparsa foram apreendidos dinheiro e arma (Foto: Divulgação/PM )Com Bruno e o comparsa foram apreendidos dinheiro e arma (Foto: Divulgação/PM )
Bruno quando foi levado à delegacia (Foto: TV Clube)Bruno quando foi levado à delegacia (Foto: TV Clube)Bruno quando foi levado à delegacia (Foto: TV Clube)
- Estava sossegado no Altos, tinha renovado para a temporada 2016 e chegou a acontecer isso. Amizades erradas que não quero mais na minha vida. Foi um deslize que aconteceu. Eu tinha um quebra-cabeça montado e chegou a desmontar - conta o jogador.
Bruno passou 11 meses preso, entre maio de 2016 e abril de 2017. Um período difícil que o jogador se deu conta da decisão errada no momento em que foi fichado na delegacia. Um momento em que o apoio da família e dos amigos foi fundamental.
Bruno quando jogava no Altos  (Foto: Divulgação/Altos )Bruno quando jogava no Altos (Foto: Divulgação/Altos )Bruno quando jogava no Altos  (Foto: Divulgação/Altos )
- Quando eu cheguei lá, bateu a ficha, que eu tinha errado e não podia mudar a situação. Foi o momento que percebi que tinha errado e tinha errado grave. Foi muita tribulação. Nessa hora que você sabe as pessoas que estão ao seu lado, e a minha família foi fundamental. Quando eu lembro me dá um choque. Você não pode mudar o que aconteceu no passado. A minha lembrança é de decepção. Eu sei que eu decepcionei a minha família, meu pai, minha mãe, todos ficaram abalados com o acontecimento. Foi coisa que eu nunca tive participação na minha vida. Eu nunca esperei fazer isso, foi coisa de momento, mente fraca e eu cheguei a cometer isso. Mas agora estou dando a volta por cima - diz ele.

Um novo momento

Em liberdade, Bruno buscou se reencontrar no esporte. Voltou às origens no futsal e foi um dos principais jogadores do Cobra D'água, que em dezembro conquistou o título de campeão piauiense. E os amigos das quadras, assim como a família, foram o alicerce para Bruno remontar o seu quebra-cabeça, que havia se desfeito há quase um ano.
Bruno fala sobre momento na prisão (Foto: TV Clube)Bruno fala sobre momento na prisão (Foto: TV Clube)Bruno fala sobre momento na prisão (Foto: TV Clube)
- A minha família foi o mais importante, abaixo de Deus. Minha família sempre me apoiou, esteve do meu lado. O presidente do Cobra D'água, o Gordinho, o capitão do meu time, o Netinho, que foi fundamental na minha vida. Um colega meu, Joãozinho, que sempre esteve do meu lado. Foi coisa que eu tento não lembrar, porque não foi coisa boa. Agora só penso no futuro, estou tentando dar a volta por cima.
E a vida segue atrelada ao esporte. Bruno foi convidado por Nivaldo Lancuna, técnico com quem trabalho no Altos, a voltar aos gramados, desta vez no Flamengo-PI. Bruno faz pré-temporada com o time e espera reviver os bons momentos que teve no Altos, agora no Rubro-Negro.
Bruno treino no Flamengo-PI (Foto: Stephanie Pacheco/GloboEsporte.com)Bruno treino no Flamengo-PI (Foto: Stephanie Pacheco/GloboEsporte.com)Bruno treino no Flamengo-PI (Foto: Stephanie Pacheco/GloboEsporte.com)
- Eu fui em busca do Campeonato de Futsal pelo Cobra D'água. A gente bateu na trave em 2015 e 2016, só que a gente montou um elenco muito forte esse ano para dar o título ao nosso presidente, que merece muito. E no futebol hoje eu estou tentando entrar para a história, com o convite do professor Lancuna. Sei que não vai ser fácil, mas a gente vai fazer de tudo para botar o Flamengo-PI onde ele merece - afirma.
Recolocando a vida nos eixos, Bruno espera que a sua história possa servir de exemplo. Um erro cometido e assumido, uma dívida sendo paga na Justiça, e o volante quer provar que mudou. Para ele, essa é a lição que fica, uma mensagem simples, mas que pode fazer a diferença: por mais grave que seja o erro, é sempre possível consertar e fazer o correto.
- Provei do lado bom e do lado ruim. Hoje eu estou dando a volta por cima, todo mundo está vendo. Uma coisa é você errar e permanecer no erro, outra coisa é errar e não errar mais. Esse é o meu caso. O que eu quero passar de exemplo para o meu filho é de agora por diante. Ser um pai bom, dedicado, exemplar, e que tem história para contar no Piauí. O conselho que eu dou é seguir a sua vida no certo. O errado é fácil, mas é muito complicado.
Que Bruno siga fazendo o certo, dentro de campo e principalmente fora dele.
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